Durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (9), na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação da Câmara dos Deputados, a Abrint manifestou posição contrária à divisão da faixa de 6 GHz entre redes Wi-Fi e telefonia móvel, defendendo seu uso integral e dinâmico para redes Wi-Fi, com ênfase na adoção do Wi-Fi 7.
Representando a entidade, o vice-presidente Basílio Perez destacou o papel estratégico dos pequenos provedores, que hoje respondem por aproximadamente 64% do market share nacional. Na ocasião, ele criticou a forma como a Anatel conduziu a decisão de dividir a faixa de 6 GHz, tomada no final de 2024, sem uma análise de impacto regulatório adequada e sem considerar os esforços em curso para viabilizar a chegada de equipamentos compatíveis com o Wi-Fi 7 ao país.
De acordo com Perez, a fragmentação da faixa prejudica o desempenho do Wi-Fi 7 ao limitar a disponibilidade de canais de WIFI em apenas 500MHz, essenciais para alcançar a capacidade prometida pela nova tecnologia. “Os países mais desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá e Coreia do Sul, liberaram toda a faixa de 1200 MHz para Wi-Fi. O Brasil deveria seguir esse alinhamento, considerando inclusive que a própria Europa está reavaliando a divisão que adotou”, argumentou.
Além disso, ressaltou que o Wi-Fi é responsável por 88% do tráfego de dados no Brasil, sendo fundamental para conectar dispositivos em residências, empresas, aviões e outros ambientes fechados. A projeção, segundo dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), é que o tráfego em redes fixas aumente seis vezes até 2030, um crescimento superior ao das redes móveis.
Também destacou que, segundo estudo da Dynamic Spectrum Alliance (DSA), a destinação integral da faixa de 6 GHz para Wi-Fi pode gerar impacto econômico de até R$ 689 bilhões no Brasil entre 2024 e 2034, sendo US$ 482,77 bilhões adicionados ao PIB. Em um cenário híbrido, com uso indoor total da faixa para Wi-Fi e parte destinada ao móvel para uso outdoor, o impacto seria de US$ 607,33 bilhões. Já a proposta atual da Anatel, que divide a faixa em 500 MHz para Wi-Fi e 700 MHz para uso móvel, resultaria em impacto inferior, de US$ 447,15 bilhões.
Por fim, o vice-presidente apresentou a contribuição da Abrint à Comissão Interamericana de Telecomunicações (CITEL/OEA), reforçando a necessidade de uma abordagem mais equilibrada e inclusiva na destinação do espectro. A proposta ressalta a liberação imediata da faixa de 5925 a 6425 MHz para uso externo (outdoor); a destinação de toda a faixa de 1200 MHz para uso interno (indoor) de Wi-Fi; a liberação progressiva da faixa de 6425 a 7125 MHz para uso local por pequenos provedores em municípios sem operação de redes móveis; e a revisão periódica da política de uso da faixa a cada dois anos (Veja a íntegra aqui).