No terceiro dia de atividades no Mobile World Congress (MWC) 2026, a Abrint realizou uma visita institucional ao estande da Cisco, com reunião técnica dedicada a espectro, evolução do Wi-Fi e preparação das redes para a era da Inteligência Artificial (IA). A agenda consolidou o alinhamento entre as organizações em torno da destinação integral da faixa de 6 GHz e da necessidade de infraestrutura robusta para sustentar novas aplicações da IA, especialmente em computação de borda (edge computing), data centers e segurança.
A comitiva brasileira acompanhou, na prática, como a Cisco monitora a conectividade do próprio MWC. Por meio de ferramentas de análise em tempo real, os representantes da Abrint observaram o mapeamento do uso das diferentes faixas de Wi-Fi nos pavilhões, identificando a distribuição de tráfego entre 2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz. A demonstração evidenciou como o 6 GHz é decisivo para aliviar o congestionamento das bandas legadas, ampliar a capacidade e garantir estabilidade em ambientes de altíssima densidade, com grande volume de dispositivos simultaneamente conectados.

Defesa do 6 GHz e Wi-Fi 7
A reunião reforçou a convergência técnica e regulatória sobre a evolução do Wi-Fi. A Cisco registrou que seu portfólio global está concentrado em equipamentos Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7, com descontinuidade progressiva de linhas baseadas exclusivamente em 5 GHz. Para a Abrint, esse movimento industrial reforça a urgência de o Brasil assegurar uma política de espectro que permita escala, previsibilidade e adoção acelerada de dispositivos e redes compatíveis com 6 GHz, garantindo competitividade aos provedores regionais e ganhos concretos ao consumidor.
“Nossa visita ao estande da Cisco mostrou, com dados reais da feira, o quanto o 6 GHz é determinante para o futuro do Wi-Fi. Ver o mapeamento do tráfego aqui em Barcelona fortalece nossa base técnica para defender, junto à Anatel, que essa faixa é essencial para a evolução dos ISPs na última milha”, afirmou Breno Vale, presidente da Abrint.
Infraestrutura para a era da IA e novos modelos de negócio
Outro eixo central do encontro foi o impacto da IA sobre redes e infraestrutura crítica. A Cisco apontou a IA como o principal ciclo de transformação tecnológica atual, com exigências diretas sobre largura de banda, baixa latência, canais mais largos e maior capacidade de processamento próximo ao usuário. A agenda tratou de tendências como o crescimento de “elephant traffic”, o avanço de soluções de inferência combinando GPU e CPU e a “onda” de provedores incorporando capacidade de GPU no backbone. Também foi discutido o modelo “GPU as a Service”, em que provedores podem atuar como “new clouders”, comercializando capacidade de processamento para governos, hospitais e empresas locais, como alternativa complementar aos hyperscalers.
Para o vice-presidente da Abrint, Basílio Perez, a discussão evidencia uma transição de mercado. “O modelo baseado apenas em velocidade está se esgotando. A conversa com a Cisco reforçou como IA e edge computing abrem espaço para o provedor regional entregar serviços de valor agregado, como segurança automatizada e processamento na borda, transformando a rede em uma plataforma de inovação”, pontuou.

Segurança e soberania digital
A agenda também abordou a pressão crescente por segurança cibernética e soberania digital, com destaque para soluções voltadas à resiliência e proteção de dados. A Cisco apresentou o conceito de “Cisco Security Factory” e modelos de licenciamento flexíveis que permitem a provedores estruturarem ofertas de segurança para clientes finais. No diálogo, as partes conectaram o tema à necessidade de previsibilidade regulatória e de infraestrutura capaz de sustentar serviços críticos, em um cenário em que conectividade, processamento e proteção passam a caminhar juntos.

