No terceiro dia de agendas estratégicas no Mobile World Congress (MWC) 2026, a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint) realizou uma reunião com a Entidade Administradora da Faixa (EAF), que procurou a entidade para abrir um canal de cooperação com foco na expansão sustentável da conectividade em regiões remotas do Brasil. O encontro tratou de como unir infraestrutura estruturante de transporte de dados, como backbone e backhaul, à capacidade operacional e à capilaridade dos provedores regionais (ISPs), especialmente em áreas de difícil acesso.
O debate central foi como transformar investimentos em redes troncais e infovias em conexão efetiva na ponta, garantindo benefícios concretos ao usuário final. A Abrint ressaltou que o sucesso de projetos em regiões remotas, com ênfase na Região Norte, não depende apenas da implantação física de cabos e rotas, mas da existência de um modelo operacional que assegure manutenção contínua, governança local e sustentabilidade econômica do serviço.

Integração e papel do provedor local
Durante a reunião, Abrint e EAF discutiram caminhos para estruturar a participação do provedor local na etapa de entrega do serviço, incluindo arranjos cooperativos e consórcios vinculados às infovias. A lógica apresentada foi a de complementaridade: a infraestrutura de grande porte amplia capacidade e alcance, mas a conexão só se concretiza quando a última milha é operada por quem tem presença territorial, conhecimento da geografia e capacidade de atendimento e manutenção no cotidiano.
Nesse contexto, foram debatidas iniciativas para transferência de conhecimento e fortalecimento técnico dos provedores, com proposta de workshops de incentivo e capacitação voltados à operação e manutenção de infovias. O objetivo é desmistificar a complexidade do modelo, ampliar segurança técnica e fomentar a adesão de provedores em regiões onde há infraestrutura disponível, mas ainda existe distância entre a rede estruturante e a prestação do serviço ao usuário final. Também foi mencionada a necessidade de comunicação mais simples e direta para estimular o mercado local, ampliar compreensão sobre oportunidades e reduzir barreiras de entrada.
Para Janyel Leite, líder do Conselho Administrativo da Abrint, o diálogo amplia a efetividade dos projetos de conectividade em áreas remotas. “Não basta levar fibra até a entrada de uma cidade ou até um ponto estratégico; é preciso garantir operação, manutenção e atendimento com presença local. O provedor regional é quem transforma infraestrutura em serviço contínuo. Esse canal com a EAF ajuda a alinhar o modelo para que ele seja sustentável e gere impacto real para as comunidades”, afirmou.
Foco na Região Norte e no Norte Conectado
A agenda abordou desafios específicos de implementação em áreas remotas, incluindo rotas de backbone e backhaul, manutenção em regiões de logística complexa e a importância de formar capacidade técnica local, especialmente na Região Norte. Também foram mencionadas interfaces com obrigações e iniciativas envolvendo atores como a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), reforçando a necessidade de integração entre infraestrutura, operação e prestação do serviço.
Como encaminhamento institucional, a Abrint disponibilizou espaço no Abrint Global Congress (AGC), que ocorrerá em maio, em São Paulo, para que a EAF apresente iniciativas relacionadas ao Norte Conectado e aprofunde o diálogo com o ecossistema de provedores regionais. A intenção é ampliar transparência, esclarecer modelos de participação e acelerar a aproximação entre projetos estruturantes e operadores locais capazes de efetivar a conectividade na ponta.
