Programação reuniu reguladores, governos e executivos para discutir políticas públicas, universalização da internet, data centers e expansão das redes diante do avanço da inteligência artificial
O primeiro dia de painéis no Abrint Global Congress (AGC) 2026, realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, foi marcado por discussões sobre o futuro da conectividade, os desafios da transformação digital e os impactos da inteligência artificial sobre a infraestrutura de telecomunicações. Promovido pela Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), o AGC ampliou nesta edição sua atuação internacional e está reforçando a integração entre agenda regulatória, geração de negócios e transformação digital.
A programação da manhã desta quarta-feira (6) reuniu representantes de agências reguladoras, entidades internacionais e executivos do setor para debater desde políticas públicas de inclusão digital até os investimentos necessários para sustentar a nova demanda por processamento de dados e conectividade em escala.
Os painéis mostraram que a expansão da internet deixou de ser tratada apenas como tema tecnológico e passou a ocupar posição estratégica nas agendas de desenvolvimento econômico, soberania digital e competitividade dos países.
Ao longo dos debates, autoridades do Brasil, Costa Rica e Uruguai defenderam modelos de universalização da conectividade e digitalização de serviços públicos, enquanto representantes da indústria destacaram que o avanço da inteligência artificial já impulsiona uma nova corrida global por energia, data centers e redes de alta capacidade.
No painel “Inclusão, Soberania e Resiliência: o papel das políticas públicas para o Futuro da Conectividade”, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, destacou a transformação do setor brasileiro de telecomunicações desde o processo de desestatização e privatização iniciado nos anos 1990.
Segundo ele, houve uma mudança no modelo regulatório da agência ao longo dos anos, com redução da carga regulatória para estimular o crescimento dos provedores e ampliar a competitividade do mercado. “Hoje tivemos uma revolução completa do sistema de banda larga. É um mercado competitivo, com banda larga acessível e padrão mundial”, afirmou.
Outro painelista, o presidente da SUTEL, agência reguladora da Costa Rica, Carlos Watson, apresentou a experiência do país na abertura do mercado de telecomunicações, iniciada em 2011. Watson afirmou que a ampliação da concorrência permitiu equilibrar o mercado e acelerar os investimentos em infraestrutura.
Para ele, o papel do Fundo Nacional de Telecomunicações, mecanismo público criado para fomentar inclusão digital, tem um papel fundamental no país. De acordo com ele, 18% das famílias vulneráveis da Costa Rica já foram beneficiadas pelo programa.
“Hoje utilizamos a conectividade não apenas para entretenimento, mas para trabalho, educação e acesso a serviços. Precisamos mudar a mentalidade e acelerar a digitalização”, disse.
O diretor de Telecomunicações do Ministério da Indústria, Energia e Mineração do Uruguai, Pablo Siris, apresentou o modelo uruguaio de expansão da conectividade, baseado em forte investimento estatal em infraestrutura.
De acordo com Siris, o país já investiu mais de US$ 1 bilhão em fibra óptica e desenvolveu políticas públicas voltadas ao acesso digital nas escolas e universidades.
Ele destacou que o Uruguai está próximo da universalização da internet, mesmo enfrentando desafios territoriais relacionados à baixa densidade populacional. “Queremos que todos os lares do país tenham acesso disponível à internet”, afirmou.
Infraestrutura
O avanço da inteligência artificial e o crescimento exponencial do tráfego de dados estão redefinindo as prioridades de infraestrutura no setor de telecomunicações. Durante o painel “Redes para IA: Como preparar a infraestrutura de ISPs e provedores de serviços”, especialistas defenderam que energia, conectividade e capacidade de escalabilidade passaram a ser fatores centrais para sustentar a nova demanda digital.
Moderado por Ivana Lemos, o debate reuniu executivos das áreas de telecomunicações, data centers e infraestrutura para discutir como os provedores precisam adaptar suas redes para atender aplicações cada vez mais intensivas em processamento e transmissão de dados.
O diretor de Engenharia da Ciena Brasil, Décio Coraça, destacou que os data centers deixaram de operar de forma isolada e passaram a depender diretamente da qualidade da conectividade e da disponibilidade energética das regiões onde são instalados.
“Os data centers buscam energia, e esse é hoje um fator preponderante na escolha das localidades. Mas eles não vivem isolados. A conectividade é essencial”, afirmou. Segundo ele, o avanço da IA exige que operadoras e provedores ampliem a capacidade de escalabilidade das redes, especialmente em performance e transmissões ópticas.
Na avaliação de Augusto Salomon, presidente da Cirion Technologies Brasil, os investimentos em data centers e conectividade devem concentrar parte relevante do crescimento do setor nos próximos anos.
“Se eu tivesse dois investimentos para fazer hoje, seriam em data center e conectividade, porque estamos vivendo uma mudança estrutural na forma como as pessoas se relacionam com a tecnologia”, disse.
Salomon também destacou que a inteligência artificial já faz parte das operações cotidianas das empresas, incluindo aplicações comerciais e atendimento ao cliente. Para ele, a tecnologia vem sendo utilizada para enriquecimento de leads, ganho de agilidade operacional e aumento de eficiência competitiva.
Já Agostinho Vilela, da Scala Data Centers, e Orípide Cilento Filho reforçaram que a disponibilidade energética se tornou o principal critério para implantação de novos data centers.
Os executivos também apontaram que ferramentas de inteligência artificial já vêm sendo utilizadas no planejamento da própria infraestrutura, incluindo estudos arquitetônicos iniciais e análises para definição de localidades estratégicas para instalação de novos empreendimentos.
AGC 2026
O maior evento mundial do setor de provedores de internet teve início nesta terça-feira (5), no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo representantes do setor de telecomunicações, autoridades públicas, reguladores e especialistas de mais de 40 países.
O Abrint Global Congress (AGC) 2026 segue até sexta-feira (8) e deve receber, nos quatro dias de evento, mais de 45 mil participantes, consolidando o Brasil como um dos principais polos globais de debate sobre conectividade, infraestrutura digital e inovação tecnológica.
Ao todo, mais de 250 empresas participam do congresso neste ano, que vai contar com 110 plenárias e debates, além de mais de 80 horas de conteúdo técnico e estratégico.
Confira a programação completa: https://agc.abrint.com.br/pt/programacao



