Abrint Global Congress segue até esta sexta-feira (8). Ao todo, mais de 250 empresas participam do congresso neste ano
Crescimento sustentável, amadurecimento empresarial e transformação cultural no setor de telecomunicações foram temas de destaque na tarde do segundo dia de programação do Abrint Global Congress (AGC) 2026, promovido pela Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).
Em um ambiente de maior competitividade e consolidação do mercado de provedores, executivos defenderam que a próxima fase de expansão do setor dependerá menos de crescimento acelerado e mais de planejamento estratégico, governança, eficiência operacional e capacidade de adaptação.
Ao longo da programação, painéis e palestras discutiram desde os desafios para escalar operações em um cenário de crescimento orgânico mais restrito até a importância da mentalidade de liderança para inovação e tomada de decisão.
Os debates também reforçaram que, diante do avanço tecnológico e da transformação digital, empresas precisarão combinar visão de longo prazo, preparação estrutural e desenvolvimento humano para sustentar competitividade em um mercado cada vez mais exigente.
Durante o painel CEO Talks, representantes de grandes operadoras regionais compartilharam experiências sobre expansão territorial, estruturação financeira e os desafios para escalar operações em um ambiente de crescimento orgânico mais restrito. Os debates também reforçaram a importância de decisões de longo prazo, escolha adequada de infraestrutura e preparação operacional para acompanhar a evolução do mercado.
Moderado por Breno Vale, o painel reuniu Gustavo Stock, Denis Ferreira e Patrick Canton.
CEO da Brasil TecPar, Gustavo Stock contou que o crescimento da companhia ocorreu de forma gradual e estruturada, sempre respeitando a capacidade operacional da empresa e o conhecimento sobre os mercados em que atuava.
“A operação começou no interior do Rio Grande do Sul e foi se expandindo dentro da sua capacidade. Primeiro em bairros, depois em microrregiões”, afirmou.
Segundo Stock, a empresa sempre priorizou movimentos planejados antes de expandir sua atuação. “Nunca fizemos movimentos sem planejamento ou sem conhecer os operadores”, disse.
Já Denis Ferreira, CEO da Alares, comparou o crescimento empresarial à construção de uma casa, afirmando que empresas precisam preparar sua estrutura antes de ampliar operações.
“Uma coisa é construir uma casa. Se você for construir um sobrado, o fundamento é outro. No mercado, isso significa estar preparado para crescer”, disse.
Ferreira alertou para os riscos de expansão acelerada sem planejamento adequado. “Não queira crescer mais do que você pode. Não dê um passo que não seja bem planejado”, afirmou.
O CEO da MHNet, Patrick Canton, também compartilhou a trajetória de expansão da companhia, que nasceu no interior de Santa Catarina antes de ampliar atuação para outros estados. Ele disse que a escolha da infraestrutura tecnológica é decisiva para garantir escalabilidade. “Escolha um equipamento capaz de fazer seu negócio escalar”, afirmou.
Canton também destacou que o cenário atual tornou o crescimento orgânico mais complexo e financeiramente desafiador para os provedores regionais. “O crescimento orgânico está difícil para todos. Hoje, abrir uma cidade nova e construir uma rede nova é meio kamikaze. É impossível construir uma rede e fazê-la crescer organicamente”, disse.
Mentalidade disruptiva
A importância da mentalidade para transformação pessoal e profissional esteve no centro da palestra “Mentalidade Disruptiva”, apresentada pelo empresário Kaka Diniz, e que reuniu centenas de pessoas no palco 360 do Abrint Global Congress (AGC) 2026.
Em uma apresentação voltada a empreendedores, executivos e lideranças do setor de telecomunicações, Diniz defendeu que inovação e crescimento dependem menos de cenário externo e mais da capacidade individual de assumir responsabilidades, enfrentar desconfortos e desenvolver visão de futuro.
Ao longo da palestra, o empresário afirmou que o medo da reprovação é um dos principais fatores que impedem pessoas e empresas de se posicionarem de forma disruptiva. “O ponto de muitas pessoas não se posicionarem está ligado ao medo da reprovação”, afirmou.
De acordo com o empresário, grande parte das pessoas permanece presa a comportamentos repetitivos e padrões automáticos de decisão, o que chamou de “mentalidade escrava”. “Grande parte das pessoas vive no movimento cíclico de fazer tudo igual”, disse.
Na avaliação de Diniz, desenvolver uma mentalidade de liderança significa assumir responsabilidades, inclusive diante de dificuldades e fracassos. “A mentalidade de governo é a pessoa que assume a responsabilidade da bronca”, afirmou.
O empresário ainda destacou que crescimento exige disposição para enfrentar falhas e desconfortos ao longo da trajetória profissional. “Quando alguém te disser que vai dar certo, desconfie. Porque vai tudo dar errado antes de dar certo”, disse.
Outro ponto abordado foi a importância da evolução contínua e da capacidade de desenvolver habilidades fora da zona de conforto. “Eu não evoluo quando melhoro aquilo que já sou bom. Eu evoluo quando desenvolvo aquilo em que não sou bom”, afirmou.
AGC 2026
O maior evento mundial do setor de provedores de internet teve início nesta terça-feira (5), no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo representantes do setor de telecomunicações, autoridades públicas, reguladores e especialistas de mais de 40 países.
O Abrint Global Congress (AGC) 2026 segue até sexta-feira (8) e deve receber, nos quatro dias de evento, mais de 45 mil participantes, consolidando o Brasil como um dos principais polos globais de debate sobre conectividade, infraestrutura digital e inovação tecnológica.
Ao todo, mais de 250 empresas participam do congresso neste ano, que vai contar com 110 plenárias e debates, além de mais de 80 horas de conteúdo técnico e estratégico.
Confira a programação completa:
https://agc.abrint.com.br/pt/programacao