A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou, no dia 8 de outubro, o novo Relatório Setorial de Desempenho das Prestadoras de Pequeno Porte (PPPs), elaborado pela Superintendência de Competição (SCP). O estudo analisa o desempenho econômico-financeiro das PPPs no mercado de banda larga fixa (Serviço de Comunicação Multimídia – SCM) entre 2023 e 2024, comparando seus resultados com os das grandes operadoras (não-PPPs).
O relatório avaliou cerca de 7.300 empresas, classificadas segundo os critérios de porte empresarial do BNDES, com base no faturamento anual. Os dados revelam que o setor é fortemente composto por micro e pequenas empresas, que juntas representam mais de 90% das prestadoras ativas. Dentre elas, 3.364 são pequenas empresas e 3.347 são microempresas, o que reforça a relevância das iniciativas regionais e de base local na infraestrutura digital brasileira.
PPPs concentram investimentos e lideram expansão da fibra óptica
Um dos principais destaques do documento é o volume de investimentos (CAPEX) realizado pelas PPPs. Entre 2023 e 2024, os investimentos das PPPs somaram 64% do total do setor, alcançando a marca de cerca de R$ 18 bilhões. Esses recursos foram destinados, sobretudo, à expansão de redes de fibra óptica, o que contrasta com os investimentos incrementais feitos pelas grandes operadoras.
No que tange à Receita Operacional Líquida (ROL) do SCM, as PPPs foram responsáveis por 46% do total. Enquanto o segmento de PPPs registrou um crescimento robusto de 20% na ROL, as grandes operadoras avançaram apenas 4%.
Relevância regional e oferta de planos acessíveis
Ainda, a atuação das PPPs mostra relevância expressiva no âmbito regional, sobretudo no Nordeste, onde, em estados como Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Piauí, elas representam entre 70% e 80% da receita local do serviço de banda larga fixa.
Essa presença em áreas regionais e de menor poder aquisitivo reflete-se na Receita Média por Usuário (ARPU). As PPPs registram valores entre R$ 82,00 e R$ 94,00 enquanto as grandes operadoras mantêm um ARPU superior, variando entre R$100,00 e R$103,00. Essa diferença é atribuída à oferta de planos mais acessíveis ao consumidor pelos provedores menores.
Em relação ao tráfego de dados, as PPPs respondem por 46% do volume total nacional, com uma média de consumo por usuário entre 50 e 600 GB por mês semelhante à das grandes operadoras. Contudo, o relatório observa que apenas 13 empresas PPPs de grande porte concentram aproximadamente metade de todo o tráfego gerado pelo segmento.
Eficiência e competitividade no preço do serviço
Por fim, o relatório também indica convergência de preços e eficiência operacional entre PPPs e grandes operadoras. O proxy de preço (custo médio por gigabyte) nas PPPs variou entre R$ 0,29 e R$ 0,34, valor próximo ao das grandes operadoras, que se mantém em torno de R$ 0,32 por GB.
Portanto, essa aproximação dos indicadores acaba reforçando o nível de maturidade e competitividade das PPPs, que conseguem oferecer serviços de alta qualidade com preços equilibrados, mesmo operando em contextos econômicos mais desafiadores.
A elaboração do relatório foi possível graças ao Sistema de Coleta de Dados, instituído pelo Despacho Decisório nº 30/2020/SUE, que determina o envio trimestral de informações sobre ROL, CAPEX, tráfego de dados e proxy de preço. O instrumento tem permitido à Anatel monitorar com maior precisão a evolução do mercado de telecomunicações e o impacto econômico das prestadoras regionais.
Acesse a íntegra do Relatório aqui.