Em reunião estratégica durante o Mobile World Congress, o Information Technology Industry Council (ITI) manifestou interesse no modelo brasileiro de conectividade e demonstrou preocupação com o atual cenário regulatório do país.
A agenda da Abrint (Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações) no Mobile World Congress (MWC) 2026 segue focada em fortalecer a voz dos provedores regionais no cenário global. Em um dos encontros mais relevantes da semana, a diretoria da entidade reuniu-se com representantes do ITI (Information Technology Industry Council), organização global que representa as principais empresas de tecnologia do mundo.
O objetivo central do encontro foi a análise do ecossistema de conectividade brasileiro. O ITI buscou compreender as particularidades dos ISPs (Internet Service Providers) e como a capilaridade dessas empresas transformou o Brasil em uma referência internacional de acesso à banda larga fixa.

Desafios regulatórios e infraestrutura
Durante a reunião, foram discutidos temas sensíveis que impactam diretamente a operação dos provedores no Brasil. Entre os pontos de destaque estiveram os debates em torno da gestão de espectro e taxas de rede, temas críticos para a expansão das redes. A regulação digital também ocupou espaço central no debate. O ITI manifestou preocupação com o rumo das propostas legislativas e regulatórias no Brasil, defendendo que processos dessa natureza exigem uma participação mais ampla do setor para não sufocar a inovação.
“O ITI demonstrou um interesse legítimo em entender como os provedores regionais conseguiram liderar o mercado em mais de 5 mil municípios brasileiros. Ao mesmo tempo, compartilham da nossa preocupação de que novas obrigações digitais não podem ser impostas sem um diálogo profundo com quem de fato investe na ponta”, afirmou Breno Vale, presidente da Abrint.
Alinhamento estratégico e Agenda 2026
A reunião selou o compromisso de manter um canal de interlocução contínuo entre as duas entidades. Para o ITI, a proximidade com a Abrint é estratégica para acompanhar o ambiente de negócios brasileiro e identificar formas de reduzir os entraves que hoje dificultam o investimento em novas tecnologias.
“Nossa missão no MWC é garantir que o Brasil não caminhe isolado. Ao apresentar nossa Agenda Institucional 2026 para atores globais como o ITI, reforçamos que a defesa das assimetrias regulatórias e o uso eficiente do espectro de 6 GHz são pautas globais, e não apenas locais”, complementou Vale.
Ao final do encontro, a comitiva da Abrint entregou formalmente a Agenda Institucional 2026, que detalha as prioridades da associação para o ano, e convidou os representantes do ITI para o Abrint Global Congress (AGC). O evento, que acontece entre os dias 6 e 8 de maio em São Paulo, será a oportunidade para dar continuidade às discussões iniciadas em Barcelona.

