No terceiro dia em Barcelona, a comitiva avançou com Cisco, Qualcomm, Ookla, WBA e EAF em agendas de IA, redes de alta densidade, dados de desempenho e caminhos técnicos para o 6 GHz outdoor, além de receber visita institucional da delegação da Anatel.
BARCELONA, Espanha – O terceiro dia da Abrint no Mobile World Congress (MWC) 2026 foi de entregas práticas: parcerias amadurecidas, evidências técnicas incorporadas ao debate regulatório e encaminhamentos claros para levar, ao Brasil, soluções e cooperações que impactam diretamente a operação dos provedores regionais (ISPs). Em uma sequência de agendas com líderes globais, a entidade reforçou a defesa do uso integral do 6 GHz para o Wi-Fi, alinhou caminhos para testes outdoor e conectou a pauta de Inteligência Artificial (IA) à necessidade de infraestrutura resiliente, dados de desempenho e novos serviços.
“Estamos usando o MWC como um laboratório de decisões: não viemos apenas para ver tendências, viemos para transformar tendência em parceria, e parceria em resultado para o provedor regional”, afirmou Breno Vale, presidente da Abrint.
Cisco: rede pronta para IA, alta densidade e serviços de valor agregado
A agenda começou com visita institucional e reunião técnica no estande da Cisco, com demonstrações voltadas ao comportamento real das redes em ambientes de altíssima densidade. A comitiva acompanhou como a empresa mapeia, em tempo real, a distribuição de tráfego entre 2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz na infraestrutura do próprio MWC, evidenciando o papel do 6 GHz para ampliar capacidade, aliviar congestionamento e sustentar estabilidade.
No encontro, Abrint e Cisco aprofundaram discussões sobre o impacto do tráfego massivo gerado por IA, descrito como “elephant traffic”, e sobre a necessidade de os ISPs avançarem para modelos que vão além da venda de banda, incorporando serviços de valor agregado (SVA), segurança e edge computing. Também foram debatidas oportunidades ligadas ao uso de GPU na borda, incluindo modelos como “GPU as a Service”, e caminhos de cooperação para aproximar soluções globais da realidade do provedor regional brasileiro.
“Quando a IA entra de verdade na vida das pessoas, a pressão na rede muda de patamar. O provedor precisa de capacidade, de segurança e de arquitetura para entregar serviço crítico. Essa conversa com a Cisco foi sobre preparar o ISP para essa nova década”, destacou Basílio Rodriguez Perez, vice-presidente da Abrint.

Delegação da Anatel: prioridades do setor e entrega da Agenda Institucional 2026
Ainda no terceiro dia, o estande da Abrint recebeu a visita institucional da delegação da Anatel, composta pelo presidente Carlos Baigorri, pela Superintendente de Relações com Consumidores e pelo conselheiro diretor Octavio Pieranti. A reunião foi dedicada a alinhar as prioridades atuais do setor e a importância de previsibilidade regulatória para sustentar investimentos e expansão com qualidade.
A Abrint entregou formalmente à comitiva a Agenda Institucional 2026, consolidando os pontos centrais defendidos pela entidade no evento e reforçando que o debate regulatório precisa estar conectado à realidade da última milha.
“Receber a Anatel aqui, no centro do MWC, é transformar o estande em mesa de trabalho do Brasil. Entregamos a Agenda Institucional e alinhamos as prioridades que impactam a ponta, com foco em previsibilidade e capacidade para o país seguir expandindo conectividade com qualidade”, afirmou Breno Vale.
Qualcomm: AFC como referência para 6 GHz outdoor e conectividade via satélite
Na sequência, a Abrint realizou reunião com a Qualcomm e a pauta conectou três frentes: IA embarcada e eficiência energética em dispositivos, horizonte de redes de próxima geração e conectividade 5G via satélite (NR-NTN) como alternativa complementar para áreas remotas.

No eixo de maior interesse regulatório, a Qualcomm compartilhou referências internacionais sobre a implementação do AFC (Automated Frequency Coordination) em mercados como Estados Unidos e Canadá, destacando o mecanismo como base técnica para viabilizar o uso outdoor do 6 GHz com controle e previsibilidade. A Abrint registrou o valor desses insumos para qualificar o diálogo com a Anatel e fortalecer a defesa do uso integral da faixa para o Wi-Fi no Brasil.
“O que muda o debate é evidência. Quando você traz uma referência de implementação e mostra como o AFC está sendo aplicado no mundo real, você eleva o nível da conversa e acelera o caminho para decisões mais seguras”, afirmou Basílio Rodriguez Perez.
Ookla: dados de desempenho para recortes específicos de ISPs e qualificação do debate regulatório
A Abrint também avançou na agenda de dados em reunião com a Ookla, com foco no monitoramento de números que retratem, com maior precisão, as realidades dos provedores regionais: qualidade de acesso, infraestrutura e dinâmica de investimento. O encontro reforçou a visão de que recortes específicos para ISPs ampliam a utilidade dos dados e ajudam a produzir diagnósticos mais fiéis para orientar decisões e debates regulatórios.
A Ookla confirmou expectativas para o Abrint Global Congress (AGC) 2026 e indicou que retornará ao evento com equipe ampliada e soluções mais direcionadas aos provedores, após reconhecer que, em 2025, a demanda superou a capacidade de atendimento do time no local.

“Quando a gente consegue enxergar a realidade do provedor regional com mais precisão, a conversa muda: melhora a régua de comparação, melhora o diagnóstico e melhora a forma de defender o que o setor precisa para continuar crescendo”, afirmou Janyel Leite, líder do Conselho Administrativo da Abrint.
WBA: alinhamento e atualização sobre 6 GHz, OpenRoaming e testes outdoor
Em reunião de alinhamento com a Wireless Broadband Alliance (WBA), a Abrint atualizou a entidade sobre as movimentações e os debates mais recentes da Anatel relacionados ao 6 GHz. O encontro também revisou o papel do OpenRoaming como iniciativa para autenticação mais simples e segura em redes Wi-Fi e discutiu, em alto nível, o amadurecimento do AFC como elemento central para viabilizar cenários outdoor com escala e previsibilidade.
A Abrint apresentou a agenda de testes de Wi-Fi outdoor previstos no Brasil e reforçou que os resultados serão estruturantes para sustentar tecnicamente o debate regulatório e acelerar a modernização das redes.
EAF: cooperação para infovias, sustentabilidade operacional e capacitação na Região Norte
Complementando o eixo de conectividade em áreas remotas, a Abrint se reuniu com a Entidade Administradora da Faixa (EAF), que procurou a entidade para abrir um canal de cooperação. A pauta tratou de como conectar infraestrutura estruturante (backbone e backhaul) à capilaridade dos provedores locais, com foco em regiões de difícil acesso e na sustentabilidade operacional da conectividade na ponta.
A reunião discutiu consórcios de infovias, transferência de conhecimento e ações de formação técnica, incluindo a proposta de workshops para desmistificar manutenção e operação de infovias, além de comunicação mais simples para fomentar mercado local. A Abrint também confirmou espaço no AGC para que a EAF apresente iniciativas relacionadas ao Norte Conectado.
Resultados e encaminhamentos
O terceiro dia consolidou encaminhamentos diretos para o calendário da Abrint: fortalecimento da base técnica e internacional para a defesa do 6 GHz, com foco em uso outdoor; ampliação de cooperação para serviços de IA, segurança e edge como agenda de novos modelos de negócio; e integração entre infraestrutura estruturante e capacidade operacional local para acelerar conectividade em áreas remotas. Como desdobramento imediato, a entidade reforçou a articulação para ampliar a participação de parceiros no Abrint Global Congress (AGC) 2026, em maio, em São Paulo, como espaço de demonstrações, capacitação e aprofundamento técnico das pautas discutidas em Barcelona.
“A Abrint veio ao MWC para construir resultado. Quando a gente combina evidência técnica, parceria com quem está na fronteira tecnológica e diálogo institucional com o regulador, isso vira avanço concreto para o setor no Brasil”, concluiu Breno Vale.


