Nesta semana, a Abrint participou do Fórum RNP 2026 levando ao debate o papel dos provedores regionais na construção da infraestrutura de conectividade brasileira e os desafios que começam a definir uma nova etapa para o setor. Representando a Associação, Janyel Leite, Líder do Conselho de Administração, apresentou a palestra “Provedores regionais como infraestrutura da transformação digital brasileira”, com foco na necessidade de preservar a concorrência e criar condições para que os ISPs continuem investindo e ampliem sua participação na economia digital.
Realizada de 24 a 27 de agosto, em Brasília, a 15ª edição do Fórum RNP teve como tema “Soberania Digital – Dados, IA e Pessoas”. Promovido pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, o encontro reuniu representantes do governo, academia, instituições de pesquisa e setor de tecnologia para discutir inteligência artificial, segurança, dados, infraestrutura digital e os desafios tecnológicos do país.
Ao apresentar a perspectiva dos provedores regionais, Janyel destacou como a estrutura da banda larga fixa brasileira mudou nos últimos anos. Dados da Anatel referentes ao segundo trimestre de 2026 mostram que o país alcançou 55,4 milhões de acessos de banda larga fixa, dos quais 44,7 milhões utilizavam fibra óptica, equivalente a mais de 80% da base.
A palestra também chamou atenção para uma mudança no próprio estágio de desenvolvimento desse mercado. Durante anos, grande parte da estratégia dos ISPs esteve concentrada em construir redes, entrar em novos municípios e conectar a infraestrutura local. Com a ampliação da cobertura e a predominância da fibra, esse movimento passa a conviver com outro desafio, o de gerar mais valor sobre essa infraestrutura que já foi construída em larga escala.
Janyel destacou que o setor atravessa uma fase de intensa transformação regulatória e tributária, com mudanças que chegam de forma praticamente simultânea e exigem atenção dos provedores regionais. Entre os principais temas mencionados estão o novo Regulamento Geral dos Serviços de Telecomunicações (RGST), a atualização do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), a implementação da CBS e do IBS no âmbito da Reforma Tributária, a substituição da Norma nº 4 a partir de 2027, a revisão das regras de compartilhamento de postes e a evolução das exigências relacionadas à cibersegurança.
Para a Abrint, o desafio está justamente na sobreposição dessas agendas, que demandam adaptações operacionais, tecnológicas e administrativas e reforçam a importância de uma regulação pautada pela proporcionalidade, previsibilidade e preservação da competição. “Não estamos falando em reduzir responsabilidades. Estamos falando em construir regras que sejam efetivas e que, ao mesmo tempo, preservem a diversidade empresarial que ajudou a expandir a banda larga no Brasil”, afirmou Janyel.
Ainda, a Abrint apresentou o conceito do ISP como HUB Digital, no qual a infraestrutura construída pelos provedores pode servir de base para uma oferta mais ampla de serviços. Redes de fibra, presença territorial, relacionamento recorrente com os clientes e conhecimento dos mercados locais podem abrir espaço para soluções como Wi-Fi gerenciado, segurança, backup, cloud, IoT, monitoramento, controle de acesso e serviços destinados a empresas, escolas, unidades de saúde e administrações municipais.
A lógica ganha ainda mais relevância com o avanço de cloud, automação, IoT e inteligência artificial. Quanto maior a utilização dessas tecnologias por empresas e serviços públicos, maior também a necessidade de conectividade confiável, segurança e suporte. A própria agenda regulatória da Anatel já passou a discutir os impactos da inteligência artificial na cadeia de telecomunicações e a atualização das regras de cibersegurança diante das novas tecnologias.
A participação da Abrint no Fórum RNP reforçou, assim, uma perspectiva que combina defesa da competição com evolução empresarial. Depois de contribuírem para ampliar a presença da fibra e transformar a estrutura da banda larga brasileira, os provedores regionais entram em uma etapa na qual a infraestrutura instalada pode se tornar plataforma para novos serviços, digitalização dos municípios e geração de valor para a economia local.