Nesta terça-feira (28), a Abrint, representada por seu consultor Artur Coimbra, participou do webinar promovido pela Anatel, “A Faixa de 6 GHz no Brasil: Equilíbrio Regulatório entre Inovação, Inclusão e Harmonização Internacional”. O evento reuniu representantes da indústria, de associações setoriais e da agência reguladora para discutir os próximos passos da política de uso da faixa de 6 GHz no Brasil.
Durante o painel “Modelos de uso da faixa de 6 GHz”, Artur Coimbra apresentou a visão da Abrint sobre o tema. Segundo ele, para os provedores regionais representados pela associação, o Wi-Fi é estratégico para a expansão da conectividade, já que esses provedores levam banda larga a milhares de municípios brasileiros. Coimbra ressaltou que a qualidade da conexão entregue ao consumidor depende, cada vez mais, da capacidade das redes Wi-Fi, tornando essencial a evolução do uso da faixa de 6 GHz.
Na ocasião, Artur apresentou três propostas defendidas pela entidade:
- a implantação do uso outdoor na faixa baixa de 6 GHz por meio do sistema Automated Frequency Coordination (AFC);
- a adoção de um uso coordenado e reversível da faixa alta enquanto não houver operação efetiva das redes móveis;
- a reavaliação dos primeiros 140 MHz da faixa alta com base em novas evidências técnicas e nas definições previstas para a Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2027.
Além disso, o consultor destacou que a Abrint não defende uma oposição entre o Wi-Fi e o IMT, nem uma reversão da atual divisão da faixa. “Todas as alternativas que a Abrint vem defendendo recentemente não conflitam com a preocupação legítima da agência de garantir espaço para os serviços móveis”, ressaltou.
Artur informou ainda que a associação contratou um estudo junto ao Inatel para avaliar a viabilidade técnica de mecanismos de compartilhamento inspirados na experiência do Reino Unido.
Em complemento ao debate, a presidente da Dynamic Spectrum Alliance (DSA), Martha Suárez, destacou que o crescimento do tráfego de internet fixa exige maior capacidade das redes Wi-Fi, especialmente com a chegada do Wi-Fi 7 e de aplicações como inteligência artificial, realidade aumentada e dispositivos de baixa latência. Segundo ela, a faixa de 6 GHz é essencial para suportar canais de 320 MHz e acompanhar a evolução tecnológica.
Martha também citou a recente decisão do Reino Unido como exemplo positivo de compartilhamento dinâmico do espectro. O modelo permite que parte da faixa destinada aos serviços móveis seja utilizada temporariamente pelo Wi-Fi por meio do sistema Automated Frequency Coordination (AFC), preservando a prioridade das redes móveis.
Já a diretora da GSMA Brasil, Luciana Camargo, defendeu a manutenção da atual divisão da faixa de 6 GHz. Segundo ela, destinar parte do espectro aos serviços móveis é fundamental para atender ao crescimento da demanda por conectividade e viabilizar a evolução do 5G e das futuras redes 6G. Para a GSMA, a decisão adotada pela Anatel está alinhada às discussões internacionais e oferece previsibilidade regulatória aos investimentos no setor.
Em resposta, Martha Suárez afirmou que a comparação entre o uso atual do Wi-Fi e a demanda futura das redes móveis não é adequada, pois a adoção da faixa de 6 GHz depende do ciclo de renovação dos equipamentos pelos consumidores. Ela destacou que a indústria Wi-Fi já conta com mais de 5 mil dispositivos compatíveis com a faixa de 6 GHz em nível mundial, enquanto existem cerca de 360 equipamentos compatíveis com as faixas do 5G. Segundo a presidente da DSA, o principal desafio no Brasil é a homologação dos equipamentos, e não a maturidade da tecnologia ou a demanda pelo espectro.
Ao longo do webinar, também foram discutidos os fundamentos técnicos da faixa de 6 GHz, sua evolução regulatória e o alinhamento internacional, além do desenvolvimento do ecossistema tecnológico e do processo decisório relacionado ao uso desse espectro.